TJAC garante remição de pena cumulativa para reeducando aprovado no Enem e no Encceja
TJAC garante remição de pena cumulativa para reeducandos aprovados no Enem e Encceja.
Entendimento da Câmara Criminal
A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) se pronunciou sobre a legalidade da concessão de remições de pena. Isso surgiu no contexto de um recurso envolvendo um reeducando que se destacou no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2023. A decisão da câmara foi clara ao afirmar que a remição de pena é um direito que pode ser acumulado, mesmo em casos onde o indivíduo já havia recebido benefícios por outras aprovações acadêmicas.
Esse entendimento visa esclarecer que as tentativas de aprendizado e a conquista de certificações educacionais são vistas como esforços únicos, mesmo quando se referem ao mesmo nível de escolaridade. Por esse motivo, a câmara decidiu em favor do reeducando, favorecendo sua reintegração social através da educação.
Recurso do Ministério Público
O caso foi levado ao 2º Grau de jurisdição através de um Agravo em Execução Penal que o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) interpôs. O MPAC argumentou que a concessão de nova remição pelo Enem configuraria uma duplicidade de benefícios. O órgão alegou que tanto o Enem quanto o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) resultavam em uma única certificação – o ensino médio.
Vamos analisar os argumentos do MPAC:
- Tese de Bis in Idem: O MPAC sustentou que permitir a remição pelo Enem após já ter sido concedida pelo Encceja constituiria uma contagem dupla de benefícios, o que é proibido pela legislação.
- Foco no mesmo nível de escolaridade: A interpretação do MPAC era de que, ao serem aprovações no mesmo nível, não haveria justificativa legal para a cumulatividade da remição.
No entanto, essa argumentação não prevaleceu no tribunal.
Conceito de remição de pena
A remição de pena é um mecanismo previsto em lei que permite a redução do tempo de pena a partir de atividades educacionais ou laborais realizadas por um apenado. A ideia central da remição é promover a ressocialização, transformando a pena em um tempo de reabilitação e aprendizado. Os aspectos principais são:
- Engajamento educacional: Os reeducandos podem reduzir suas penas ao se dedicarem a estudos e formações, mostrando engajamento com a educação.
- Comprovação de esforço: Para que a remição seja concedida, é necessário que o apenado demonstre frequência e conclusão nos cursos ou exames.
- Legislação específica: A Lei de Execução Penal (LEP) estabelece normas claras sobre como essa remição deve ser conduzida.
Benefícios educacionais acumulativos
A decisão da Câmara Criminal expressa a validade da acumulação de benefícios educacionais, mostrando que as conquista de diferentes exames miram em formatações de competências distintas. Isso é essencial para:
- Valorizar o esforço individual: Cada exame representa um nível de desafio e aprendizado que merece reconhecimento.
- Incentivar a educação contínua: Permitir que reeducandos continuem a sua busca por aprendizado cria um ambiente que fomenta melhores possibilidades de reintegração na sociedade.
- Reforçar a individualidade do aprendizado: Cada conquista educacional, seja pelo Enem ou Encceja, deve ser considerada de forma isolada para fins de remição de pena, pois cada exame tem seus objetivos e formatos únicos.
Importância do Enem e Encceja
Tanto o Enem quanto o Encceja desempenham papéis fundamentais no panorama educacional e de reintegração de reeducandos. Aqui está uma breve comparação:
| Aspecto | Enem | Encceja |
|---|---|---|
| Objetivo | Avaliação para ingresso no ensino superior | Certificação de conclusão da educação básica |
| Complexidade | Exame de maior escalabilidade, cobrindo mais áreas | Prova voltada para a validação de conhecimentos |
| Público-alvo | Jovens e adultos que desejam ingressar na faculdade | Jovens e adultos que não concluíram o ensino básico |
Esses exames têm suas respectivas importâncias:
- Enem: Serve como porta de entrada para instituições de ensino superior. Avalia habilidades e conhecimentos básicos, além de argumentação.
- Encceja: Permite que aqueles que não completaram a educação básica possam obter a certificação necessária para seguir seus caminhos educacionais.
Decisão unânime do TJAC
A manutenção de 80 dias de remição de pena para o reeducando foi uma decisão unânime do tribunal. Todos os magistrados que participaram da votação concordaram que a cumulação dos benefícios era adequada e que a educação deveria ser incentivada. Essa decisão reforça:
- Coesão entre direito e educação: A união dos esforços entre diferentes examinações reflete um tratamento jurídico favorável às oportunidades de aprendizado.
- Estímulo à reintegração: O reconhecimento do valor da educação como parte da reabilitação permite caminhos para a reintegração social dos apenados.
Fundamentação legal da decisão
A decisão da Câmara Criminal está alinhada a várias normas e resoluções que guiam a atuação do Judiciário:
- Artigo 126 da Lei de Execução Penal (LEP): Este artigo estabelece que o estudo é uma ferramenta fundamental para a ressocialização dos apenados, permitindo a remição de pena através de práticas educativas.
- Resolução nº 391/2021 do CNJ: Define que o aprimoramento educacional deve ser constantemente incentivado e que programas de ressocialização devem integrar ações educacionais.
- STJ e o REsp nº 2.072.985/DF: O entendimento desse recurso vincula-se à possibilidade de cumulação de benefícios educacionais, excluindo de tal cumulatividade apenas situações onde se repete a mesma avaliação rigorosamente.
Estudo como fator de ressocialização
A prática de uso do estudo como um meio de ressocialização é respaldada por evidências de que o aprendizado tem um impacto positivo na recuperação e reintegração de indivíduos ao convívio social. Estudos indicam que:
- Melhoria na reintegração: O aprendizado proporciona novas habilidades, promovendo oportunidades de emprego e desenvolvimento pessoal.
- Redução da reincidência: Indivíduos que se dedicam ao aprendizado tendem a ter menores taxas de reincidência em atividades delituosas.
- Criação de identidade positiva: O envolvimento em atividades educacionais permite que reeducandos desenvolvam uma nova identidade, voltada para o conhecimento e superação.
Implicações para reeducandos
A decisão cria um ambiente mais favorável e promissor para os reeducandos que desejam aproveitar as oportunidades educacionais. Algumas implicações práticas são:
- Aumento do incentivo ao estudo: A possibilidade de redução da pena traz uma motivação adicional para que os apenados se dediquem à educação.
- Diversificação de opções educativas: Com a abertura para que reeducandos possam se valer de mais de uma certificação, aumenta-se a gama de opções disponíveis para aprendizado e desenvolvimento pessoal.
- Reconhecimento da educação como direito: A decisão mostra um compromisso do Judiciário com a educação como direito acessível a todos, independentemente do passado criminal.
Próximos passos para a valorização educacional
À medida que o TJAC continua a apoiar a acumulação de benefícios educacionais, é crucial estabelecer próximos passos que podem dar ainda mais força a esses valores:
- Ampliação de programas educacionais: Criar mais oportunidades para que os reeducandos possam acessar a educação, como cursos, oficinas e parcerias com instituições de ensino.
- Foco em resultados: Monitorar e avaliar o impacto dessas remições no comportamento e na reincidência dos apenados, ajustando programas conforme necessário.
- Promoção de colaborações: Estabelecer parcerias com ONGs e iniciativas privadas que visem a inclusão educativa de reeducandos, ampliando as possibilidades de aprendizado.
Dessa forma, a decisão da Câmara Criminal do TJAC não apenas representa um passo importante na valorização da educação como ferramenta de ressocialização, mas também promove um ambiente onde o aprendizado é um direito acessível a todos os indivíduos, independentemente de seu histórico.


